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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Educação ou capitalismo?



"O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar."

(GRAMSCI)




SOCIALIZAÇÃO DA POLÍTICA: O PAPEL DA EDUCAÇÃO


GALVÃO, Roberto Carlos Simões(1)


No Brasil a participação do povo no poder tem se limitado a comparecer nas urnas de dois em dois anos. Mesmo na ocasião dos pleitos eleitorais há pessoas que participam mais por temor às sanções à abstenção do que por consciência crítica ou motivações propriamente políticas. A partir desse contexto, a ideologia neoliberal credita à educação escolar a tarefa de formar cidadãos mais ativos e politicamente conscientes. Pesquisa realizada pelo Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá propôs um estudo crítico do tema em relevo, à luz de referenciais teóricos marxistas, buscando questionar até que ponto a vinculação entre educação e participação política é pertinente e pode se viabilizar. Partiu-se do pressuposto de que a formação da consciência crítica dá-se na práxis da luta de classes, associada a uma educação socialista emancipatória, formadora do homem omnilateral. Sob o modo de produção capitalista, a escola não passa de um aparelho ideológico do Estado, cujo fim está na manutenção e na reprodução da ordem social burguesa. As propostas de educar para a cidadania nas escolas não farão grande diferença, enquanto a sociedade estiver pautada numa política econômica de orientação capitalista, essencialmente fundamentada na desigualdade, e que obstaculiza as ações populares revolucionárias.


(1) Professor de Filosofia na região norte do Paraná (Rede Particular de Ensino). Graduado em Direito e Filosofia; Pós-graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá. Autor de artigos publicados em revistas especializadas. E-mail: rcsgalvao@bol.com.br Telefone: (43) 3422-2074.


*Para ler este artigo completo, acesse: http://www.reveduc.ufscar.br/index.php?option=com_content&task=view&id=45&Itemid=48 .


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

REDAÇÃO - conheça alguns princípios básicos para uma boa correção

Fazer da correção de texto um ato de prazer

Princípios básicos:
1. O erro é uma oportunidade para que se dê o processo ensino-aprendizagem. Não fazer drama em cima do erro do aluno: banho de sangue.
2. Ninguém erra voluntariamente. Não inibir o aluno de escrever, mesmo que erre muito.
3. Escrever para alguém corrigir é uma situação artificial. Ninguém escreve para as gavetas. A função social da linguagem.
4. Uma boa correção começa numa proposta de redação bem elaborada. Estabelecer critérios previamente.
5. Discutir o conteúdo, mas privilegiar a forma.
6. A importância do rascunho. A necessidade de um portador. Reescrita do texto avaliado.
7. Fazer exercícios microestruturais: estruturação do período e do parágrafo.
8. A obediência às regras da Gramática Normativa é apenas um aspecto a ser avaliado, não é tudo.

Curiosidade




Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.
Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de Domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.
Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras.
Daí por diante, as experiências foram se acumulando sem que eu percebesse que estava descobrindo a leitura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estavam germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.
Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado), eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.

(Carlos Drumond de Andrade)